TOLERÂNCIA AGUDA E CRÔNICA À SALINIDADE DE JUVENIS DE PANGASIUS (Pangasianodon hypophthalmus)

Amarilys Macari de Giz, Gustavo Henrique Squassoni, Lucas Valentim Montezuma, Andres Jesus Leguizamon Coronel, Janaina Della Torre da Silva, Luciana Thie Seki Dias

Resumo


Especula-se que a produção comercial de pangasius seja viável em viveiros ou tanques abastecidos com água salobra, apresentando-se como uma alternativa na região semiárida do Brasil, notadamente reconhecida pela sua escassez de água potável. Diante disto, o intuito deste experimento foi avaliar a tolerância aguda e crônica de juvenis de pangasius submetidos a diferentes salinidades. Foram utilizados 216 juvenis de pangasius (17,30 ± 5,26 g), distribuídos em delineamento inteiramente casualizado, com quatro tratamentos e quatro repetições. Para o ensaio de toxicidade aguda foram testadas quatro salinidades (5; 10; 12,5 e 15‰) e um tratamento controle (água doce - 0‰). Baseado nos resultados obtidos no ensaio de tolerância aguda determinou-se as concentrações salinas utilizadas no ensaio de tolerância crônica: 5; 7,5 e 10‰ e controle (0‰). Neste ensaio foram avaliados parâmetros de crescimento (peso e comprimento, ganho de peso, consumo de ração e taxa de mortalidade) e parâmetros físico-químicos da água (temperatura, pH e amônia tóxica). Adicionalmente observações visuais foram realizadas para detectar possíveis alterações morfológicas ou comportamentais decorrentes da exposição às diferentes salinidades. A salinidade letal média (SL50) para o pangasius nas condições do estudo foi estimada em 10,76‰ (IC 95% = 10,22 – 11,33‰). Maiores taxas de ganho de peso (p<0,05) foram observadas nas faixas de salinidade de 5 e 7,5‰. Não foram verificadas diferenças (p≥0,05) entre as médias de peso, comprimento final e nos parâmetros físico-químicos da água nas concentrações salinas estudadas. Alterações morfológicas e comportamentais foram detectadas nos peixes do tratamento controle e nas salinidades de 7,5 e 10‰. Os resultados encontrados sugerem que o pangasius apresenta relativa tolerância à salinidade. Entretanto, é necessário um aprofundamento de estudos de campo sobre a real influência da salinidade para esta espécie, buscando avaliar os possíveis efeitos sobre o crescimento ao longo de todo o ciclo produtivo, para que seja possível determinar o real potencial de cultivo nestas condições.

Palavras-chave


Crescimento; estresse; peixes; sal; sobrevivência

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DOI: https://doi.org/10.3738/21751463.3697